top of page
sigilo griseo neonbow

O Eu (s)em mim e o(s) nós sem eles

 

Finais são somente prelúdios que antecedem prólogos, ao menos para quem prefere começos e despreza a resolução absoluta que antecede o 'último' ponto ;

 

A minha preferência é o improviso, não total, mas dissimulado e com juízo - julgando sem condenar, mesmo quem implora pelo fim do ciclo - de recomeço em recomeço, no limiar do infinito (ciente de que a chave do precipício é a intenção que faz vibrar o instinto) a encarar o Vazio que está sempre a permear cada frame do agora contínuo, de piscadela em espreitar, a encarar o abismo, se precisar dou meia volta e até contra a maré me viro, seguindo o fluxo do caminhar a embalar meu próprio ritmo ;

 

Mesmo sem condenar, do outro só quero o que for intencionalmente direcionado a mim, o que farei com tal ou qual, só na hora que decido ;

 

A maior parte de meus iguais está a seguir o umbigo, se é o seu ou não, não cabe a mim dizer a última palavra sobre o tal dito, daquele que está a tatear ainda amedrontado pelo tal fundo (do abismo), já caí lá, empurrado fui, subi de volta em muito mais de um mero ciclo. Maldito fui, maldosamente ou bem, feitoria lúcida do sonhar contínuo, serenidade (adquirida) de quem prefere a verdade crua do que viver um faz de conta cheio de brilho.

 

Que diferença faz?

 

Só podemos controlar nossas ações, e somente podemos estabelecer quais são mediante a metacognição {‘reversa’} calibrada para o contexto situacional, o resto é projeção, ilusão ou … (ritmo?)

 

Não tem como desligar, mas posso escolher operar dentro, fora ou à margem do contexto e (ainda além), dependendo do agora em questão em um linear oblíquo, sou apenas eu e ninguém mais além de mim pode sê-lo, essa é a única âncora que me parece necessária carregar, embora nada pese - estamos sempre a uma escolha de uma intervenção radical na realidade e isso é um fato (intrínseco).

 

A dificuldade de exercer esse estado em absoluto é que não estamos sozinhos e que para esse modelo de consciência ser possível de habitar no agora contínuo o outro não pode ser colocado como 'eles' já que essencialmente somos 'nós' e mesmo quem não sabe também é uma singularidade, pois ninguém pode ser eu e eu também não posso ser ninguém além de mim.

 

A ilusão de separação é deliberadamente provocada para gerar lucro e impedir a singularidade compartilhada como realidade universal por nada além de um pequeno grupo em contraste com os demais habitantes desse planeta dividido, resquício de um passado em um presente distopia beirando o onírico.

 

Se fôssemos utilizar termos que carregam e encapsulam significados mais densos e/ou universais, poderíamos também escrever assim o ('in')pulso {contínuo} da consciência:

 

... '0' < Vazio > Mana > E-Moção (energia em moção) > Matéria < Luz < Tempo > Aether < Vazio > Mana > E-Moção > Matéria < Luz < Tempo > {fractal} < '-1' ...

 

Alguém que vive no passado será menos propenso a felicidade daquele que vive no futuro, entretanto, alguém que vive no presente terá intrinsecamente mais acesso a um estado de satisfação em relação a ambos.

 

Embora aqueles que possuem um estado de metacognição operante e cujo aparato sensorial esteja calibrado para sincronicidade com a realidade factual e não com a projeção de suas expectativas, dependendo exclusivamente do momento presente para {re}avaliar seu status, esse inequivocamente interligado em tempo real ao estado de constante improvisação ;

 

sendo o diferencial de sincronicidade a própria capacidade de filtrar (e alinhar) suas escolhas com seu propósito e sua singularidade compartilhada. Além disso, somente a crença de que os inocentes serão protegidos 'poderia' salvar o operante, que através do piloto automático contam com a sorte como companheira.

 

A ignorância não é uma benção, ao contrário do popular dito, é um fator limitante (assim como quaisquer crenças) que estará sempre presente em qualquer equação em diferentes medidas e proporções e portanto o questionamento da intenção originária de todo pensamento ou ação como premissa necessária para a mitigação de ruídos e esclarecimento de limites e motivações em todas as instâncias.

 

A única maneira (de estar em constante busca por esse estado operacional) é através de uma equação instintivamente equalizada perante o contexto situacional, esse sim, necessariamente esclarecido e alinhado ao propósito 'trínseco' (intrínseco+extrínseco) e aos vetores de custo x benefício selecionados mediante a singularidade compartilhada do indivíduo consciente.

 

Embora a adição e a dependência da intuição seja um fator potencialmente obscuro, quanto mais clara for a intenção e quanto mais refinada houver sido a análise situacional e os vetores equacionais, menor será a margem de erro e ruído durante a execução de quaisquer ações.

 

Através da simulação de cenários e da dissecação das variáveis componentes sem levar em consideração projeções ou expectativas e baseadas somente na análise factual dos dados sem quocientes ou vieses de cunho obscuro ou pontos cegos negligenciados de forma deliberada, o inconsciente passa ter sua participação cada vez menor e a margem de acerto potencialmente aumenta em relação a clareza obtida pelos ciclos de {re}estruturação ;

 

Simplesmente o fato de não sabermos (ou de não estar sendo compartilhado por aqueles que sabem e/ou de ser uma projeção da matéria finita e apenas um pulso da recusa em admitir a efemeridade) o que é a consciência mas haver uma pilha de perguntas que corroboram com a existência de 'algo a mais' já é o suficiente para continuar fazendo perguntas.

 

Se for um pulso de efemeridade constante, então, que sejamos capazes de transcender a divindade que criamos para nos proteger do vácuo que forma a maior parcela do que há lá fora, seja essa a verdade ou o fruto da ‘obstinência’ do observador do presente contínuo a encarar a própria bunda no limite do limite.

 

Explorar não significa ignora o mapa, e sim buscar o que ainda não foi mapeado, quando não segui o caminho, embora muitas vezes reinventar a roda fora a o resultado, mesmo não compensando o investimento em sangue, suor e fardo, a chamando de círculo ou esfera, conforme o ângulo permitira ao largo, ainda assim o trajeto altera a perspectiva e percepção, isso foi um fato.

 

Talvez o mítico 'livre arbítrio' não seja um direito e sim um dever - afinal a 'não escolha' não deixa de ser uma escolha ;

 

A escolha de respirar é intrínseca a continuar respirando, mesmo que pareça automática pode ser desligada pela soberania individual, e embora possa parecer assustador o fato de termos que escolher continuar a respirar - ainda assim é o que nos permite continuar escolhendo. E embora essa premissa possa parecer meramente simbólica, a existência da opção de suicídio como uma forma radical de apropriação de trajetória através da seleção da última escolha e visando retomar o controle de sua realidade, mesmo que apenas 'uma última vez' - e isso é uma das maiores dentre todas as ilusões, já que todos os indivíduos possuem o potencial de alterar a realidade em proporção às suas ações - ou como batizei para simplificar meu diálogo interno - simplesmente através do reconhecimento de estar no limiar onde o passo seguinte tem a capacidade de uma mudança de paradigmas através do poder da 'próxima escolha' ;

 

Ao escolher permanecer alheio ou como observador, que opta por parar e fazê-lo até mesmo temporariamente, pois por continuar 'apenas(*)' existindo a consciência também é capaz de adquirir o combustível necessário para sua própria transformação ainda que o observador esteja passivo perante os desdobramentos já que internamente a expansão ocorre devido aos dados adquiridos mesmo em redundância e assim potencializa o reconhecimento de padrões.

*apenas, como se nesse contexto fosse possível a diminuição da magnitude do impacto da mera presença de um observador, mesmo que 'moderadamente' consciente, no desdobramento de quaisquer eventos - afinal - com certeza uma árvore faz barulho quando cai, é física básica de causa e efeito, pois em algum momento alguém presenciou uma árvore cair em algum lugar, por ordem do destino ou de intervenção externa e comprovou o fato.

 

Já que o 'mais importante' para desbloquear o estado de 'livre arbítrio' proposto pelo texto é encontrar acalento no desconforto da incerteza de nosso atual estado existencial, sem simplificar as ramificações da ignorância intrínseca ao ser humano e a desproporcional quantidade de perguntas sem respostas em relação aquilo que 'sabemos' ou achamos que sabemos, afinal, aquilo que não sabemos que não sabemos, 'sempre' será a maior fatia do gráfico - ao menos até que o gráfico inteiro seja visível, já que a chance nunca é zero - para nenhuma possibilidade ;

"o abismo é apenas o vazio manifesto, e o vazio nada é quando separado da luz e do tempo, sendo esses três a trialidade que fractalizada permite o desdobramento da malha tridimensional que sustenta a realidade concreta que compartilhamos através de nossa singularidade compartilhada"

 

Estamos suspensos na trialidade e movendo(se) em um stop motion de átomos, ou de outra perspectiva, nada além de linhas tortas vibrando no escuro ;

 

GRISEO, Felipe M

criador.co
bottom of page