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sigilo griseo neonbow

#IMPEACHMENT:_D.O.S._[/TODO_PODER0505]

 

Estavam implementando a solução para mais uma solicitação de intervenção na realidade concreta, que fora a seleção ‘não natural’ dos mosquitos. Para erradicar as alergias em humanos, onde o protótipo inicial transmitia a intenção da completa obliteração de mais uma espécie como a resolução para um problema e oferecendo uma solução alternativa cujo impacto potencial da criação de cenários adversos recebera uma drástica redução com uma abordagem indireta, ao menos era o que as estatísticas de desdobramentos eram capazes de prever.

 

O desenvolvimento de mosquitos hipoalergênicos fora sem dúvida uma solução mais limpa e menos problemática do que a eliminação total, mas ainda assim havia uma margem de erro correspondente a 5% como valor mínimo estabelecido como parâmetro de segurança, com lastro em projetos anteriores e baseado no conhecimento empírico de que qualquer intervenção em escala global, acarretará em fatores imprevisíveis e impossíveis de serem calculados.

 

Mas, caso houvessem danos colaterais significativos nessa abordagem, seriam incluídos na pauta de reconsideração e se validada a preocupação iam para a pilha de manutenção, onde já haviam inúmeros ‘reparos’ em cadeia sendo ‘efetivamente efetivados’ apesar de já não mais saberem qual foi o evento inicial daquela cascata de desdobramentos caóticos que por vezes se interpolavam e causavam uma fractalidade incontrolável e impossível de se desfazer em diversas camadas da sociedade.

 

Essa linearidade de ajustes era uma trajetória comum e esperada. O que era considerado uma falha catastrófica, difícil de acontecer com um projeto cujo percentual atingiu a pontuação máxima de 95%, era a pilha de emergências, que além da drenagem de recursos ainda atrasava todas as demais pautas.

 

Entretanto, para os internos as conversas recorrentes, por vezes inflamadas e aos gritos (ou mesmo em sussurros quase inaudíveis) nos corredores da instituição era outra: já era estimado que 30% do orçamento era de uso exclusivo para o setor de tradução que tinha como tarefa providenciar e estabelecer explicações para o grande público, o que era uma pauta polêmica por si própria, já que haviam aqueles partidários a fechar as portas do ramo de relacionamentos de forma permanente e utilizar os recursos para resolver problemas reais ao invés de ficar de ‘politicagem com civis’. Os radicais, como eram rotulados aqueles que desejavam encerrar as explicações e apenas compartilhar os dossiês completos (e sem cortes) para a sociedade, sofriam retaliações de ambos os lados - apesar de seus números serem os que recebiam incremento percentual com maior recorrência.

 

A estimativa de que haveria um crescimento exponencial resultando no estrangulamento dos fundos de pesquisa e desenvolvimento que realizavam as intervenções necessárias para manutenção da estratosfera em detrimento do incremento constante do orçamento para manutenção da ordem pública que apenas focava na prestação de contas e ainda ultrapassariam os 50% ainda nessa geração estava resultando em uma aceleração no atrito entre os habitantes e os administradores.

 

O setor de ‘Relações Públicas’ estava sempre se queixando de falta de pessoal e as constantes reorganizações internas para possibilitar a eficiência transformavam a rotina diária do setor análoga a um dos extintos campos de batalha, que seria quase uma transcrição literal não fosse a ausência de conflitos bélicos e a quase total ausência de baixas, sangue e explosões.

 

Já era complexo falar com a administração quando esses estavam unificados, agora que o setor de relacionamento havia efetivamente engolido o setor de pesquisa e desenvolvimento, não somente devido ao orçamento mas também a pressão crescente da sociedade civil que exigia controlar até as vírgulas do que ocorria nas instalações dos ‘zeladores’ como eram pejorativamente chamados por aqueles que eram críticos e focados nas falhas de execução dos projetos de campo, embora pouco soubessem sobre a complexidade da operação que estava ficando cada vez menos eficiente devido à escassez de fundos e intervenção de quem não possuía sequer informações suficientes para formular uma opinião válida - o que acabava por gerar retrabalho para os tradutores de jargões, sempre em fogo cruzado entre os internos devido a aplicação e simplificação de termos que gerava descontentamento generalizado mesmo quando faziam o melhor possível com a situação específica.

 

Quando os pontos percentuais atingiram 80% a situação ficou insustentável e houve a dissolução via reapropriação civil e a extinção do regime de contenção de danos para a implementação de um conselho para filtrar as intervenções, impedir redundância e selecionar apenas aquelas que seriam benéficas antes de acontecerem quaisquer erros ou danos por conta de efeitos colaterais. Uma reforma total que retirou o controle dos administradores e iniciou uma operação que se baseava no setor de relacionamento em primeira instância, selecionando como estratégia primária as abordagens mais diretas e que necessitavam de menos recursos para contenção de despesas como o novo protocolo de ação.

 

Os administradores que se rebelaram foram todos colocados sob pena capital e forçados a se tornarem espectadores sem direito de sequer omitir sua opinião, inclusive sendo segregados em um território delimitado e monitorado sem a possibilidade de deixar o perímetro.

 

Logo foi-se percebido que o sistema de filtro era ineficiente, e mesmo as soluções deliberadas cuidadosamente poderiam gerar implicações impensáveis durante a fase de simulação.

 

Com a crescente de revoltas dos administradores no território segregado e fora dele, estabeleceram o comitê regulatório de relações públicas, onde a estratégia de comunicação priorizava um parecer positivo e ignorava efeitos colaterais negativos durante o compartilhamento dos eventos - atribuindo esses aos antigos administradores.

 

Essa dissociação com a realidade retirou poder do apelo dos revoltados e agora os descontentes eram enviados à ‘Diglhotina’, que era uma exclusão permanente da rede interconectada que deixava o indivíduo permanentemente offline em caso de recorrência de contravenção. O resultado, já esperado pelos antigos administradores, foi a extinção total daqueles que se opunham ao novo regime e o comitê acabara extinto.

 

Abandonaram as medições por falta de verba e os efeitos colaterais rapidamente saíram de controle e acabaram por causar uma epidemia que acabou com quase todos os humanos, onde apenas mutações que não chegavam a dois dígitos percentuais da antiga população e ainda ramificando a espécie outrora unificada, em 8 subgrupos que eram incapazes de coexistência por suas particularidades evolutivas, alterando completamente a trajetória da espécie dominante e causando um grande reinício da ordem das coisas.

 

Quase todo o banco de dados havia sido perdido durante a pandemia e os poucos que eram capazes de manter o sistema operacional rodando não eram o suficiente para uma reorganização em escala planetária de forma eficiente então decidiram se isolar para proteger a integridade da informação e utilizar os sensores de superfície para continuar coletando dados e enriquecendo a base, aguardando o momento de reiniciar as operações de refinamento de entropia quando o momento fosse oportuno, ou seja, quando houvessem seres suficientes e capazes de estabelecer novamente a rede de administração e aprimoramento da estratosfera. 

 

Enquanto isso, a maioria das mutações da antiga espécie hegemônica estavam em conflito para decidir o novo rumo das coisas. Nos antigos ‘Data Centers’, esperando que da próxima vez fosse possível que todos os habitantes compreendessem a complexidade da operação e de que o trabalho de manutenção é contínuo- onde qualquer ação sempre trará consequências a serem gerenciadas posteriormente ou incorporadas à ‘nova realidade’ como alternativa..

criador.co
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