À MORTE *
Um lado Vazio e o outro Luz,
sabendo que um não existe sem o outro,
dançantes ao embalo contínuo que alimenta a existência do movimento,
senão apenas pela fricção do próprio pensamento,
nem preto e nem branco, cinzento,
atribuindo essa como a cor do passado, do futuro e da mesma massa que molda o Tempo
- já que apenas esse consegue absorver
a totalidade do desdobrar
colorido com as cinzas formadas pela dança entre os opostos
- permitindo não somente ver além de ambos,
mas também sua própria existência e ainda mais,
refletidas no embaralhar dos elementos a brilhar ;
há quem chame isso de caos,
enquanto eu apenas observo o resultado da ordem inerente ao atrito como fato,
ombro a ombro com a primogênita do primeiro trio,
que ceifou inúmeros antes de mim e,
que assim como ela,
pararam abismados ∃
assombrados perante o desdobramento dos átomos,
ao saborear o sombrear das sombras,
sem nem saber o porquê do espanto - e ainda assim - estupefato(s).
Griseo; Felipe M
Até porque, logicamente, ela foi a primeira a parar ou a ser parada ou mesmo já estava lá antes da primeira dança ou ainda após os últimos passos antes da retomada do movimento da ampulheta do Tempo. Talvez a primeira habitante do Vazio ou ainda a manifestação consciente da Luz, que por brilhar de mais teve que se projetar para poder se enxergar, mas ainda assim cega para as diferenças - pois continua aceitando à todos sem distinção.
