...ainda pior do que maliciar é fingir inocência ;'}
{'Rum'in'ar
A diferença entre música e ruído está além da aparência: é a apreciação do silêncio entre os
momentos de afluência na harmonia dos instrumentos; claro, a não ser que realmente seja só
barulho — significando que talvez faltem mais sons para conectar as partes já em execução clara
ou discretamente acumuladas ao fundo — sejam arpejos, laceios, notas cruas influentes,
sobrepostas como entulho ou entrepostas de enfeite.
— Quem sabe, precisa é de uns afinados, abafados ou até silenciados para a melodia audível,
grave ou serena, dançante ou mesmo um embalo sutil e sem grafema, assim como a motoserra
que derruba a copa ao solo para fazer do tronco papel higiênico, violão ou lenha, trazendo ao fim
recomeço, grandioso dilema: difícil é sacar a raiz sem emitir sequer um fonema.
Às vezes somente o silêncio é capaz de nos fazer sacodir o esqueleto,
mesmo aqueles que estão presos em um armário próprio ou seleto como objeto alheio —
seja esse um quarto fechado ou uma clareira em meio aos pinheiros —
o ritmo nem sempre é calculado a rigor de presenteio,
de gargalo em embalo, resvala de compasso,
improvisa galopando a trote ou rima soneteando ao largo,
ocasionalmente é só + um replay,
repeteco de plágio,
sinônimo de cópia ou simplificando —
ainda mais
— farinha do mesmo saco!
De olhos cerrados ou abertos,
o reverberar incita sem receio,
demonstrando o linguajar que faz vibrar ensaiando método, ensejando floreio —
e se-quer solicita permissão, bença ou arreio
— seja por pura fé, profunda descrença, projeção ou devaneio,
transforma perspectivas e expande a percepção feito mero trapaceiro,
arrasta até quem estava a esmo,
apreciando a paisagem,
brevemente de passagem, apenas, sendo,
sem pedir licença nem seguir qualquer enredo:
Perdão, perdi a vontade de continuar a sequência,
só resta, agora, sentar e sentir o assentar da cadência,
esperar o vento assobiar ao pé do ouvido e arrepiar a essência —
já que soletrei o verbo, escapuliu a paciência...
