...{sabe(D[0]R)ia} ;
A sabedoria quando é um fim, acaba por se anular, já que o exercício do sábio é manter no horizonte contínuo que o que não sabemos será sempre maior do que aquilo que sabemos.
Logo, sem um propósito, objetivo ou interlocutor ela permanece como um meio sem um fim, que ainda necessita das camadas de metacognição e inteligência emocional, além de pensamento crítico e raciocínio lógico e só pode ser utilizada em sua plenitude e expandida através da curiosidade e do reconhecimento que o caminho mais simples para navegar o caos será 'sempre' em uma espiral. Até porque o fator mais difícil de controlar é o tempo de desdobramento das ações, sejam elas de terceiros ou próprias.
A humildade em relação ao reconhecimento do status de singularidade compartilhada no presente contínuo como a expressão máxima de um Eu intransferível e irreplicável é apenas a ironia de reconhecer que o fim será sempre análogo a um recomeço.
A variação entre a capacidade dos indivíduos em mapear a densidade factual da realidade concreta, alcance, impacto e desdobramentos das próprias escolhas e ações - mesmo na direção almejada - ao realizar o ato em si, difere drasticamente.
Aqueles munidos da clareza sobre as próprias intenções potencializam um decréscimo no descolamento da causa e efeito oriundos da 'flecha lançada', caso seja analisado por um observador alheio à cena e focado exclusivamente nas ramificações do evento.
Portanto, sem a análise do contexto situacional e um alinhamento de trajetória entre os presentes no momento do acontecimento, o quociente de ruído será proporcional a ausência de clareza entre as partes envolvidas, mesmo indiretamente.
O 'simples' reconhecimento que estamos todos interligados e sujeitos ao compartilhamento das consequências das escolhas alheias, seria o suficiente para estabelecer que a cooperação e a transparência são a essência de uma equidade entre cada indivíduo perante o todo.
Quando esse nível de complexidade estrutural é atingido, o modelo de dualidade já está obsoleto e portanto as armadilhas de bem ou mal, certo e errado já não forçam o posicionamento do observador de forma automática e a probabilidade de cair em manipulações ou ceder a um controle de narrativa é reduzida em proporção ao domínio das variáveis e vetores situacionais.
Se houver integridade operacional da consciência, ou seja, se ela estiver operando em modo de linearidade contínua, o sistema de crenças está possivelmente operando na base da interdependência, onde os elementos luz, tempo e vazio permitem a malha tridimensional a se desdobrar de maneira fractal.
Mesmo que através desse salto metafísico e metafórico, a relação conceitual dos três elementos, simplifica o entendimento da realidade compartilhada e serve como base para um modelo mais complexo para navegar no plano material, ao menos até conseguirmos desvendar a Teoria de Tudo.
Enquanto isso, em uma trialidade mais concreta, respeito ao próximo, transparência na comunicação e o exercício do livre arbítrio como dever (e não apenas como direito), devem dar conta do recado, afinal, até a decisão de não escolher é uma forma de escolha...
GRISEO, Felipe M
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