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lag[u]aia
ou
Rep(lay) em Si...

lag[u]aiaFelipe Griseo
00:00 / 02:08
Sala 01
SDJ 07

Agora parece que falá pro mundo tá na moda,
mas o povo regional aqui da volta,
faz tempo que abertamente resolveu contar à todos sua origem migratória -
domingo passado escutei lá na casa da minha sogra -
mas foi da alma da minha vó que eu entendi qual o pes(adel)o das linhas d(ess)a história​,
disponível na internet em incontáveis manifestos
que não só relatam como deixam a mostra,
sobreviventes de uma empreitada que já começara mórbida:
de quando foram selecionados por precisarem mudar uma certa 'trajesthória'
bem mais (sem) graça do que (in)glória e,
ainda assim, 
mendô a mendoukusai,
- era tudo que havia -
entre lembranças e momentos de tróia e​​​​​
pra bem apagar uma tal coisa do coletivo e/ou/da memória,
posicionados foram e em um navio arriscaram a própria cota,
o que muita gente não nota,
deram o machado e uma pá,
alguns martelo e mera foice em troca,
disseram 'abençoados sejam', tapa nas costas,
'buona fortuna' e 'fino a mai',
parece chique mas
é 'até nunca mais' em italiano, então, só sobra o 'senta & chora'​ ;

SDJ 08

Muitos vieram com seu deus e alguns cá morte,
mas também conheceram ela ali mesmo nos porões da frota
que rumava oeste e um pouco o sul,
deixando o horizonte conhecido no passado as costas,
calculado risco dessa expedição-aposta,
rico esquema que (co)agitava e não esperava autorização, sorte ou proposta:
vieram com cavalos, bois e armados em suas carroças
mais uns escravos e uns serviçais leais, também, entre as famílias e suas tropas
​​​​- organizados para (des)equilibrar a eficiência dessa nova prova, argumentados que
eram ordens do todo poderoso no trono alto em sua sabedoria e misericórdia -
do cetro poucos lembram mas a 'maça' tá presente até na mesa posta,
oculta(da) mas que se precisa, sem cerimônia, vai até o talo sem demora,
desde antes de atravessar todo mundo tava acostumado e calejado:
a nova ordem do continente veio na bagagem, importada junto lá do velho estado,
pra transformar floresta em pasto e plantação de domingo à sábado
- uns vieram só pra levar madeira e minérios de volta para seus reais contatos -
obtida entre promessas de faca nos dentes,
adubaram o já fértil solo com os originais residentes ;

SDJ 06

Esses agora mal lembrados,
na história atual são incompatíveis,
indigestíveis pelo novo sistema,
indigentes de um tempo que não volta e vai além,
arrastando até quem devia ser só um registro passado,
apenas carregado para não reincidir o incidente equivocado,
ao invés de propulsionar o problema ao presente momento compartilhado,
ainda bem que aqui e agora, quase ao contrário, só vejo gente comigo,
tem até uns animais e eu digo em duplo ou mesmo triplo sentido,
depende da espécie, categoria e gênero em um idioma além de morto, antigo...
também há quem aja como se fossem parte dessa fauna,
deixando sair o monstro em si que deveria tá domado e não dormindo ou de tocaia,
achar isso normal que é estranho e esquisito,
violência pra mim é o maior tabu, admito,
tem gente que romantiza mas eu abomino:
é o refrão banalizado que se comprova por omissão
- porque ela se regurgita se não digerida -

e não se gera como sugere o famoso chavão,
há quem aponte uma sequência de desproporcional combustão,
e que tá tudo fudido por consequência real do efeito entre causa e ação,
distribuído impresso de capa dura ou não,
script didático, repetido, resumido e
até gravado nas (entrelinhas) históri(c)as de uma respeitada ou outra publicação.​

SDJ 04

A "origem migratória" é a senha do invasor,
vendida como sonho, mas paga com sangue e terror.

Não é uma novena de ninar da nona,
é o registro de quem veio e para sobreviver usou a boina.

SDJ 05
SDJ 03

O "velho estado" mandou a ordem empacotada,
e a floresta virou pasto na base da machadada.

Quem diz que é "trajesthória" não sabe o que diz,
foi corte na carne, cirúrgico e direto na raiz,
realizado pela mesma mão

que capina a campina pra ver sua família feliz.

O monstro que regurgita não é curupira nem caipora ;
É o fantasma da "maça" cobrando o contrato feito outrora, e
não me refiro à fruta: deixo é a arma a mostra.

Sala 02
criador.co
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